Segundo Platão, o amor é FALTA, INSUFICIÊNCIA, NECESSIDADE, e, ao mesmo tempo, desejo de adquirir e de conquistar o que não se possui. Amor é desejo e desejo é o apetite daquilo que é agradável, por isso o amor está dirigido para a Beleza, que outra coisa não é que a aparência do bem, logo, desejo do bem. O amor também é o instinto de vencer a morte, a via pela qual o ser mortal procura salvar-se da mortalidade, não permanecendo sempre o mesmo, deixando após si, em troca do que envelhece algo novo que se lhe assemelha. Para alcançar o AMOR PERFEITO, o ser mortal vai passando dos degraus inferiores aos superiores, da beleza sensível à Sabedoria, que é o SUMO BEM, a mais alta de todas as belezas, a saber, a filosofia. A teologia platônica do amor propõe mostrar a via pela qual o amor sensível pode tornar-se amor de sabedoria, isto é, filosofia, e o delírio erótico tornar-se uma virtude(disposição para a prática do bem), que afasta o homem dos modos de vida usuais e o empenha na difícil procura dialética. Mas vamos lá para o Romantismo, século XIX. Vou condensar o assunto em pensamentos dos mais eminentes filósofos e cientistas que trataram desse tema tão encantador.
A palavra amor designa a relação intersexual, quando essa relação é seletiva e eletiva, sendo por isso acompanhada de amizade e de afetos positivos (solicitude, ternura, etc.). Com a palavra amor fica designada uma vasta gama de relações interpessoais, quando se fala do amor do amigo pelo amigo, do pai pelo filho e reciprocamente dos cidadãos entre si, dos cônjuges entre si. Além das relações intersexual e interpessoal, o amor também existe na forma do interesse coletivo, amor a comuni9dade, amora pátria, amor ao partido, etc. O que caracteriza o amor é a solidariedade e a concórdia entre os indivíduos que participam do amor; o desejo de posse não entra no amor, porque a possessividade é uma característica dominante que fica nos limites da paixão, da personalidade de quem ama com “amor” apaixonado, e isso não é bem o amor.
Aristóteles e o Amor
Amor é força unitiva e harmonizadora, e tal força cósmica permeia o amor sexual, a concórdia, a política e a amizade, mas o amor também é necessidade, imperfeição ou deficiência; ao amor unem-se a tensão emotiva e o desejo: ninguém é afetado pelo amor se antes não foi tocado pelo gozo da beleza. Toda paixão (amor ligado ao prazer) termina em amizade, que é a vontade de viver junto.
Platão
Aqui, as características do amor sexual são generalizadas e sublimadas. Amor é falta. Amor é insuficiência. Amor é necessidade. Amor é desejo de adquirir e possuir o que não se possui, é o interesse incorporado à alma, mas que pode se dirigir para a Beleza, a aparência do bem, o desejo do bem, desejo de vencer a morte. O amor é uma entidade que evolui da beleza sensível (delírio erótico) para a Sabedoria, que é a mais alta de todas as belezas, a beleza altíssima, a saber, a filosofia, beleza pura, nobre, e que empenha o homem na difícil busca da dialética. O amor é a beleza que só alcança o seu termo dentro de uma ordem precedida com as noções da verdade e do bem. O amor alcança a felicidade por degraus, passando dos bens inferiores aos bens superiores, seu termo é a revelação da Verdade (o Belo). Ao contemplar o Belo, o homem torna-se caro aos deuses e atinge a imortalidade. O amor platônico, portanto, está definitivamente desvinculado da experiência do cotidiano, da precariedade, provisoriedade e finitude da vida.
SCHOPENHAUER
O amor é a força infinita que rege o mundo, a força soberana de viver, o gênio da espécie. Os homens não trabalha para si mesmos e sim para a perpetuação da espécie, e, conseqüentemente, os homens são os provedores da dor do mundo sem saberem que o são, pois o gênio da espécie os ludibria com essa grande invenção dos românticos, o amor. Se os homens soubessem que trabalham apenas para a manutenção da espécie, assim como a formiga trabalha tão-somente para o sustento da rainha, não se assujeitariam a esta farsa, os homens não se deixariam enganar pelas mulheres, este bicho de idéias curtas e unhas cumpridas, que, quando nova, usa seus encantos para negociar com a fraqueza e a loucura do homem. Não existe amor. O amor é uma invenção do romantismo, o que existe é o interesse dessa força soberana que se impõe aos interesses do homem, e o homem sabe que sofre, mas não sabe por que sofre, o homem é tocado pelo gozo da beleza, e desde então, vive na ânsia desse louco e inexistente amor.
O amor a Deus é impossível porque Deus não é um objeto dos sentidos.
Sto. AGOSTINHO
Amar a Deus significa amar o amor, mas ninguém pode amar o amor, se não se ama quem ama. Não é amor o que não ama ninguém. O homem não pode por isso amar a Deus, que é Amor, se não ama o outro homem. O amor fraterno (intelectual) entre os homens não só deriva de Deus, mas é o próprio Deus, é a revelação de Deus em um de seus aspectos essenciais à consciência dos homens.
FREDERICO SCHLEGEL
A fonte e a alma de todas as emoções é o amor.
JOÃO DUNS ESCOTO
O amor é a conexão e o vínculo de que está ligada a totalidade das coisas em amizade inefável e em indissolúvel unidade.
DESCARTES
O amor é uma emoção da alma produzida pelo movimento dos espíritos vitais que a incita a unir-se voluntariamente aos objetos que lhe parecem convenientes.
VAUVENARGUES
Na amizade, o espírito é o órgão do sentimento, no amor são os sentidos.
KANT
O amor a Deus é impossível porque Deus não é um objeto dos sentidos.
Santo AGOSTINHO
Amar a Deus significa amar o amor, mas ninguém pode amar o amor, se não se ama quem ama. Não é amor o que não ama ninguém. O homem não pode por isso amar a Deus, que é Amor, se não ama o outro homem. O amor fraterno (intelectual) entre os homens não só deriva de Deus, mas é o próprio Deus, é a revelação de Deus em um de seus aspectos essenciais à consciência dos homens.
FREDERICO SCHLEGEL
A fonte e a alma de todas as emoções é o amor.
FREUD
O amor é a especificação e a sublimação de uma força instintiva originária que é a LIBIDO. A libido não é um impulso sexual específico (dirigido para o indivíduo do outro sexo), mas simplesmente a tendência à produção e à reprodução de SENSAÇÕES VOLUPTUOSAS relativas as chamadas zonas erógenas, tendência que se manifesta desde os primeiros instantes da vida humana. O impulso sexual específico seria uma formação tardia e complexa, formação que, por outro lado não é nunca completa, como se demonstra pelas perversões sexuais, tão variadas e numerosas. Essas perversões não são, portanto, desvios de um impulso primitivo normal, mas modos de comportamento que remontam aos primeiros instantes da vida, que se subtraíram a um desenvolvimento normal e se fixaram na forma de uma fase primitiva (fase oral, primeiro ano de vida; fase anal, a partir do segundo ano de vida; fase fálica, dos três anos até os seis, que são estágios psicossexuais do desenvolvimento). Outros estágios são os períodos de latência (dos seis até os nove ou onze anos, quando a criança fica voltada para as atividades acadêmicas, e a fase genital que equivale à puberdade e onde começa a crise de identidade nos jovens). A crise de identidade reflete uma confusão de papéis dado que os conflitos anteriores não foram resolvidos de maneira positiva, a saúde mental é o reflexo da solução positiva dos conflitos nas diversas fases do desenvolvimento. O amor adolescente é uma tentativa de encontrar a identidade, o jovem vê no outro o ideal do eu e tem o outro como o objeto de suas aspirações, o que é muito comum no amor apaixonado, quando a pessoa o indivíduo passa a se amar no outro, o que não é outra coisa do que uma tentativa de aprimoramento das figuras paternas, que , em fases anteriores não proporcionaram CONFIANÇA BÁSICA, AUTONOMIA, INICIATIVA e DILIGÊNCIA, ou seja, os pais não deram amor e segurança o suficiente para a formação de um ego saudável, o resultado é o desajustamento de conduta.
Fonte bibliográfica: Manual de filosofia, verbete Amor.
http://www.caestamosnos.org/edicoesespeciais/O_Amor.html
23 maio 2011
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