16 março 2010

Confusão com o gothic metal

Existe um grande problema, advindo do final da década de noventa com a tentativa do “revival” do gothic rock. Muitas bandas de metal sendo mostradas a um público leigo como pertencentes ao meio gótico e não passando, muitas vezes, de bandas de metal. Como isso aconteceu? Qual a razão de as pessoas confundirem duas coisas que estão distantes, extremamente distantes?






Vamos voltar um pouco ao gothic metal. O estilo, nascido do doom, começava, a partir de 1996, a pegar elementos da música gótica, sobretudo o rock gótico. Paradise Lost, Moonspell, Entwine, Type O Negative e outras tentaram colocar essa sonoridade gótica e passaram, de fato, a soarem mais góticas do que metal, embora conservassem o peso. Nesse mesmo rolo começaram a aparecer bandas de gothic rock com fortes traços de metal, como Dreadful Shadows, Seraphim Shock, Love Like Blood, que eram mais pesadas que as bandas mais convencionais e começaram a ser aceitas entre os headbangers. Isso fez indiretamente alguns pensarem que o gothic metal fosse uma “evolução” do gothic rock e que ambos eram a mesma coisa.

A segunda confusão se dá pela primeira. Em países com pouca tradição com a música gótica (sobretudo Finlândia) o nome “gothic rock” ganha muita força. Aliado ao sucesso do grupo The 69 Eyes e pela fama no meio gótico do grupo Two Witches, muitas bandas e gravadoras querem ganhar algo com esse estilo, que passou a virar uma espécie de “marca”. Partindo desse ponto, qualquer banda de metal que fizesse um som menos pesado e com algum elemento estilo Paradise Lost passaria a ser chamada de gothic rock. Esses grupos não possuem nenhum traço sonoro e visual que remetesse ao estilo citado, não caindo no gosto dos góticos. Viraram produtos para headbangers que quisessem ouvir alguma coisa nessa linha e, contudo, não quisesse fugir muito ao heavy metal. Isso fez com que as pessoas imaginassem o gothic rock como algo “sombrio” e “triste”, coisa que não corresponde à realidade.


O terceiro motivo é calcado numa outra banda, o Theatre of Tragedy. O grupo sempre teve elementos de gothic rock/darkwave em seu som, misturados inicialmente com música barroca e depois tirando esses traços, gradativamente. O vocal soprano de Liv Kristine e a proposta da banda serviram para que algumas pessoas, anos mais tarde, começassem a associar qualquer banda com vocal feminino de gótica. Desse modo temos coisas como Within Temptation e Evanescence sendo chamadas por algumas pessoas de “roque gótico”.

O último motivo se dá por duas bandas em especial. A primeira é o Lacrimosa. O projeto, inicialmente tocado por Tilo Wolff, era calcado numa proposta gothic rock mesclada com a música erudita. Essa sonoridade neoclássica caiu no gosto dos fãs de metal e agradava também os góticos. Com o tempo o projeto foi assimilando as mudanças da cena européia e o crescimento do darkwave. Com a entrada de Anne Nurmi do Two Witches e a incorporação de alguns elementos do heavy metal, o projeto passou, nesse ponto, a se focar nos headbangers. Com isso, de forma indireta, a sonoridade gótica entrou, por conta de uma mídia desinformada, no meio desse grupo, sobretudo no Brasil.

A segunda banda é o H.I.M. Tocando um pop rock bem dançante e com fortes tendências glam (sim amiguinhos, nada de love metal aqui), aliado ao fato de terem caído no gosto dos góticos, fez com que alguns achassem que era também uma banda gótica. Como eles flertam muito com o metal, foi um pulo para que bandas com sonoridade similar fossem colocadas no meio, como se fossem gothic rock. É claro que temos bandas dentro da cena gótica influenciadas pelos finlandeses, mas são poucos grupos que realmente podem ser chamados de “góticos”.

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