
O Gothic Metal se originou do Doom Metal, estilo iniciado com o lançamento do disco "Epicus Doomicus Metallicus" do Candlemass. A sonoridade desse álbum se assemelha a do Black Sabbath, mas com muito mais peso e acompanhado de belos vocais operísticos masculinos. Essa sonoridade também foi seguida pela banda Cathedral, formada pelo ex-vocalista do Napalm Death, Lee Dorrian. Vale lembrar que a banda fundada por Dorrian ajudou também a criar o Doom Death, seguido por bandas como Insanity Reigns Supreme e Novembers Doom.
Isso ocorreu no final da década de 80 e acompanhou a degeneração do movimento gótico. As letras das bandas de Doom Metal eram calcadas na melancolia e no desejo de morte, e também permitiam a mescla de temas como fantasia, ocultismo, entre outros. E sempre seguiam a sonoridade do Black Sabbath. O Candlemass é considerado por muitos críticos uma cópia do grupo inglês de hardrock.
Na década de 90 teríamos uma mudança radical na sonoridade do Doom. As novas bandas que surgiram começariam a se distanciar da proposta sabbathiana e incorporar elementos do metal extremo, como death e black metal. Isso culminou com a sonoridade dada como "padrão" dentro do Doom. Isso foi encabeçado por bandas como My Dying Bride, Katatonia, Opeth, Paradise Lost e Anathema, que pegaram elementos do de outros estilos do metal e mesclaram com a proposta do Candlemass de fazer um som lento e pesado, só que calcado em riffs de metal extremo e vocais urrados. As letras ainda se mantinham melancólicas e com temas mais ligados a morte, suicídio, amores perdidos etc.
Uma dessas bandas, o Paradise Lost, criou as diretrizes sonoras do que viria a ser considerado Gothic Metal. Eles eram calcados no Death Metal, fazendo um híbrido e resultou num Doom/Death, que inspirou muito uma outra banda, o Amorphis. Em 1993 lançaram o EP "Gothic", que anos mais tarde daria nome ao estilo. Aos poucos a banda liderada por Nick Holmes começaria a incorporar sonoridades que os afastaria do Doom. Com o lançamento do cd "Icon" a banda começava a se distanciar das raízes death metal e começaria a ir na direção ao gothic metal. Houve um EP de remixes, o "Gothic", de 1994, que ajudou a dar o nome ao novo estilo, inicado no cd "Icon". Em 1995 teve o lançamento do cd "Draconian Times", que possuía uma sonoridade que não poderia ser chamada simplesmente de Doom. Estava muito diferente, alterada pelas influências do Gothic Rock. Os álbuns seguintes abraçariam uma sonoridade mais eletrônica, usando como referências a músicas do Depeche Mode e algumas coisas da nova onda do gothic rock. O estilo do Paradise Lost influenciou muitas bandas, como To/Die/For, Charon, In Grey, Lacrimas Profundere, Entwine, entre outras. Essas bandas adicionariam outras influências, mas ainda estariam presas ao modelo dado pela banda inglesa. Vale lembrar que alguns deles surgiram exatamente na fase "Draconian Times" e acompanharam também a chegada de outra banda, o Sentenced. Eles nunca foram uma banda de gothic metal. Transitou muito entre o death, o doom e alguma coisa de rock depressivo, mas sem perder os elementos de metal. O som deles, com forte semelhança ao Paradise Lost fase Draconian Times, mais o destaque na mídia mundial os fez serem chamados erroneamente de "gothic metal".

O Type O Negative, embora muitos não reconheçam, também influenciou fortemente na definição da sonoridade. Inicialmente uma banda de doom, em seu cd "Slow, Deep and Hard" eles se valiam de um doom metal com toques de punk rock estilo Misfits e alguns toques de death metal, pelo fato de seu vocal ter sido da banda Carnivore. Mas em seu cd "Bloody Kisses", o Type abordaria uma sonoridade mais soturna, mesclando um vocal extremamente grave (na mesma linha do Sisters of Mercy) com um som lento e pesado, característico do Doom. Contudo, nos cds seguintes a banda usaria de outras sonoridades da música gótica, como o industrial por exemplo, e passaria também não ser somente uma banda de doom. Muito embora muitos ainda achem que eles são doom, sua sonoridade está muito longe daquela sonoridade do doom como ficou conhecida. O Type influenciou muitas bandas também, tais como Poisonblack, Sunseth Midnight, Moonspell, Beseech etc.
Falando no Moonspell, eles também ajudaram e muito a definir a "cara" do gothic metal. Quando surgiu, em 1992, em Portugal, eles tocavam um black metal com nítidas influências do Celtic Frost e gravaram a demo "Serpent Angel", que era a demo deles na época que se chamavam Morbid God. Até 1994 seguiram lançando demos black metal. Em 1995 lançaram o cd "Wolfheart", que se desvinculou das raízes black metal para atingir outra sonoridade. Eles mesclavam música regional portuguesa com metal, mais os vocais guturais/graves de Fernando Ribeiro. As letras passariam a falar de temas como literatura, ocultismo e sobre a noite. Desse cd vem o clássico Vampiria, considerada por muitos o início da fase gótica do Moonspell. O cd "Irreligious" iria entrar mais fundo nas influências góticas e o "Sin/Pecado" viria a ser um dos mais góticos da carreira deles(e detestado por muitos fãs). "The Butterfly Effect" iria mesclar um pouco de música industrial e o "Darkness and Hope"seria o cd que colocaria eles como, definitivamente, uma banda de gothic metal. Seguiu-se o lançamento de "The Antidote", disco que marcaria ainda mais o som deles com o gothic rock.
Em 1995 o Theatre of Tragedy inauguraria o estilo conhecido como "A Bela e a Fera". Com um som de bases doom, mas com influências de música barroca, mesclaria um som pesado, lento, a poderosos vocais guturais masculinos e a belíssimos vocais líricos femininos, criando um choque de extremos, que ajudaria a criar mais uma faceta do Gothic Metal. O seu auge foi no cd "Aegis", em que o Theatre of Tragedy usaria mais sintetizadores e seu som se afastaria totalmente do doom. Essa banda influiu muito em bandas como Tristania, After Forever, Epica, Petallon e Macbeth, por exemplo, muito embora isso também ajudou com que bandas que não poderiam ser consideradas como gothic metal fossem incluídas como tais, como no caso do Epica. A banda também conseguiu agradar tanto aos fãs de darkwave quanto os de metal, o que lhes rendeu um lugar de destaque na cena gótica, sobretudo em seus cds depois do Aegis (embora já estivessem na cena desde o Velvet Darkness They Fear).
O próprio doom acabaria tendo influências da música gótica. O Anathema colocou algumas coisas de sons anos 80 em suas músicas, sendo o maior marco a música Sleepless no cd "Serenades". O My Dying Bride, em seu cd "34.788%... Complete", muito criticado por fãs e pela crítica especializada, usaria algumas influências góticas, que desagradaram a muitos dos fãs. o The 3rd and the mortal deixaria de fazer metal, após o cd "Tears Laid in the Earth" para seguir uma linha mais experimental, quase sem nada de metal.

Vale também citar o The Gathering. Essa banda, que era inicialmente calcada no Doom metal, começou a colocar influências de gothic rock e até mesmo de pop music no som. Como, no final, acabaram por se distanciar bastante do estilol, acabaram também sendo incluídos no gothic metal. Bandas como Within Temptation, Mortal Love, Lacuna Coil, Lullacry, por exemplo, passaram a ser influenciadas por essas mudanças do The Gathering. Isso ajudou ainda mais a aumentar a confusão, pois temos com isso o Within Temptation, banda nitidamente com bases neoclássicas, sendo vendida como Gothic Metal (e não tendo nenhum elemento que possa colocá-los como tal).
E com isso, eu posso dizer que o Gothic Metal existe? Sim e não. Não, se você considerar que tudo é subgênero do doom metal. E sim se você analisar o fato da sonoridade do doom, após sofrer uma grande degeneração, resultou no Gothic Metal, que guarda algumas características do Doom, mas em muitos aspectos se afasta dele.
Vale também lembrar que o Gothic Metal não tem origem no Gothic Rock. O que acontece muitas vezes é algumas bandas usarem influências do Gothic Rock em seu som, mas sem constituir necessariamente uma origem direta. Temos bandas como Betray My Secrets, com marcas de ethereal.
A confusão do rótulo
O rótulo gothic metal passou a ser confuso pelos seguintes motivos:
Com o sucesso de bandas como Theatre of Tragedy e Tristania, as gravadoras passaram a ver que bandas de metal com vocal lírico vendiam e perceberam que elas atraiam uma parcela que antes não consumia metal: a parcela feminina. As meninas passaram a ver nas vocalistas uma imagem de "mulheres no comando" por assim dizer. As vocalistas passaram a ser o centro das atenções e começava a rolar uma identificação.
Dentro desse mérito, as meninas passaram a gostar dessas bandas, fato que boa parte do público delas ser feminino. Esse fato também se repete no metal melódico, uma vez que os vocalistas muitas vezes possuem uma aparência mais andrógina/afetada. Os rapazes passaram a ver em mulheres bonitas/gostosas um diferencial, muito mais pela estética do que pelo som propriamente dito. é muito mais agradável para um rapaz ver uma mulher bonita que um machão musculoso... Com esses fatores, muitas bandas de metal melódico com som mais sombrio/neo-clássico passaram a ser consideradas como Gothic Metal, tais como: Epica, After Forever, Midnattsol... Isso poderia entrar em conflito ao pensarmos nos estilos extremos com vocalistas femininas. Bandas como Arch Enemy, por exemplo, passaram a contar um apelo femino muito forte. mas o grande diferencial é, sem dúvidas, o fato de as mulheres no gothic metal manterem certa postura feminina, mesmo que vulgarizada. Vestidos, cabelos compridos e coloridos, roupas que evocassem sobre as mesmas um certo ar angelical faziam as meninas verem nelas o seu modelo. Por conta disso que, erronaeamente, essas bandas, com forte apelo masculino, passaram a ser vistas com outros olhos pelas meninas, aliado a um som bem mais leve e mais "audível".

Gothic Metal é gótico?
Não. Essa é a resposta mais curta possível. A mais longa vem a seguir. Durante um bom tempo as pessoas associaram o gótico com o sombrio, com o obscuro e o melancólico. Aconteceu de muitos adolescentes (sobretudo garotas) quererem adotar um estilo mais "dark" de vida. Passaram a cultuar bandas sombrias e a usar colares prateados com símbolos místicos e roupas pretas. Passaram a ver o gótico como uma louvação a tristeza e a melancolia. Esse erro foi corroborado por gravadoras e revistas especializadas, que colocaram na cabeça do povo que isso era ser gótico. Sites mal-informados colocaram mais coisas erradas, contribuindo ainda mais para a confusão. O metal nunca fez parte da cena darkwave de uma forma geral. Existem bandas com fortes traços de metal, como Dryland, Diabolique, Fields of Nephelin, Batalion D’Amour, Dreadful Shadows, Seraphim Shock etc. Mas nenhuma delas deixou de ser da cena gótica. Nenhuma delas deixou de lado a integridade de seu som, em busca de um som metal. Então tivemos um fenômeno inverso, mas que não constituiu uma regra. Por isso não é gótico. Não faz parte da cena e nem da subcultura. Infelizmente, isso pegou aqui no Brasil por conta de eventos ditos "goticos". Infelizmente, tivemos uma onda ruim desses eventos com bandas "góticas", que atrairam muitos "metaleiros", que passaram a ver também a mulher gótica como fácil, desejável. Tanto que há uma péssima imagem do gótico como afetado, bissexual e das góticas como sinônimo de putas, no sentido mais sujo que essa palavra possa evocar.

fonte: gothicground.com/materias/33561.php
Crazy,congratulations
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